Catálogo do projeto Arte interCIDADES 2013






No Ano Passado fomos selecionados para participar do projeto Arte Intercidades, uma exposição itinerante de performance e intervenção urbana, com duas edições em 2013: uma em Joinville, Brasil, e outra em Lansing, EUA.

Diferente da itinerância tradicional, em que artistas viajam ou obras são transportadas, InterCIDADES aconteceu através de colaborações internacionais: as dez propostas artísticas que compõem o programa da exposição foram selecionadas sob as condições de serem traduzíveis e reproduzíveis por outros artistas, em outro país. Os curadores organizaram a re-performance, re-execução ou re-instalação de cada proposta em terras estrangeiras, convidando artistas de ambas as cidades para participar da exposição como colaboradores dos artistas internacionais.

 Nossa proposta executada nas duas edições foi o Posto de Inconveniência e o catálogo do projeto com todos os trabalhos apresentados foi lançado hoje em meio digital, que pode ser acesso: aqui.

Feira Propósito por Joelson Bugila (Florianópolis, SC)





Feira Propósito é uma ação realizada numa barraca de frutas, onde o artista estará trocando com o público frutas por respostas. Para cada fruta, uma pergunta. Se respondida, o cliente-espectador leva para casa. Por meio da proposta, Joelson Bugila questiona o processo de desapego, de remuneração, formas de trabalho, moradia/convivência e sua própria produção de arte. O projeto pretende repensar estratégias de vida, desde a sua própria até o que se espera em uma sociedade. Esta ação pretende criar uma coleção de respostas sobre o Propósito.

Quando: 04/10 (Sábado) a partir das 9h

Onde: Praça Nereu Ramos

Confira a programação completa aqui.

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 É um Artista em P r o c e s s o. 
Nascido em Criciúma, 1986. Vive e trabalha em Florianópolis - Santa Catarina. Técnico em Design pela Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC). Estudou Artes Visuais pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Graduado em Marketing pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI).

Selfie por Renato Veiga (Joinville, SC)






Convidando o público à sair de sua rotina, a proposta SELFIE de Renato Veiga, intervém no caminho da cidade propondo a seguinte troca: UMA SELFIE POR UMA CERVEJA. A partir deste simples ato inusitado, dá-se início a uma série de relações, desde o próprio ato de tirar foto com um desconhecido, conhece-lo por razões socialmente incomuns, até a viralização da informação que ocorre quando as fotos são postadas imediatamente com o #SemanaOcupaçãoUrbana, criando uma rede de todos que participaram da ação, e podendo ser acompanhada simultaneamente através das fotos postadas.

Quando: 03/10 (sexta-feira) a partir das 17h

Onde: Universidades e Saídas do terminal


Confira a programação completa aqui. 

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Renato Veiga (1971), natural de São Paulo/SP, publicitário, Formado em História da Arte, e Desenho e Pintura na Escola de Artes Fritz Alt, Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior. Principais exposições: Arte Contemporânea: Intervenções e Encontros, MAC Schwanke, Joinville, 2008. 38ª Coletiva de Artistas de Joinville, Intervenções Urbanas, Joinville, 2009. Sesc Pretexto, Galeria Victor Kursancew, Joinville, 2009. 40ª Coletiva de Artistas de Joinville, Procedere, Joinville / Museu de Arte de Blumenau (MAB), Blumenau, 2010. 41ª Coletiva de Artistas de Joinville, Procedere II, Joinville, 2011. Projeto Lançamentos AAPLAJ, Retrospectiva de 40 anos da Coletiva de Artistas de Joinville, Joinville, 2012. Panorama Catarinense de Artes Visuais, “Entre a paisagem e o ser humano”, Galeria de Arte do SESC de Jaraguá do Sul, 2012. Salão Elke Hering, 10ª. Edição, Mostra Nacional Contemporânea de Artes Visuais, Blumenau, 2012. 42ª Coletiva de Artistas de Joinville, III Procedere, Joinville, 2012. Projeto AAPLAJ “Conjunto/Detalhe”, Exposição itinerante, SC, 2012. Projeto SESC "Arte no Singular", Joinville, 2013. 13° Salão Nacional de Artes de Itajaí, 2013. 43ª Coletiva de Artistas de Joinville, Essência, Joinville, 2013.

BOAcumba por Marcos Alexandre (Joinville, SC)







BOAcumba é um ritual mágico em que só se pode fazer o bem. Em um estande o artista oferece a oportunidade de realização deste ritual, cujo objetivo é trazer prosperidade financeira para outra pessoa. Em troca do material e das instruções de procedimento, o participante deve entregar algum objeto carregado consigo no momento. A proposta é inspirada na psicomagia de Alejandro Jodorowsky, que mescla arte e rituais místicos, e levanta a questão do desapego e do puro altruísmo, uma vez que o participante deve se desfazer de algo de sua posse para que outra pessoa ganhe mais dinheiro. O participante também nunca poderá contar ao beneficiado que fez o ritual em seu favor, sob pena de a meta (a prosperidade) não ser alcançada.



Quando: 02/10 (Quinta-feira) a partir das 11h

Onde: Praça Nereu Ramos



Confira a programação completa aqui.

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Marcos Alexandre nasceu em Blumenau e mora em Joinville. Tem atuação profissional como tarólogo e terapeuta energético. Na área cultural é fundador do Fã-clube do Manhattan Connection [facebook.com/FaClubeManhattanConnection] e autor do projeto Película cor-de-rosa [peliculacorderosa.wordpress.com]. 
BOAcumba é seu primeiro projeto artístico

Sete Rádios por Jefferson Kielwagen (Joinville, SC)







Por meio de uma intervenção sonora com rádios portáteis no Cemitério Municipal de Criciúma, Jefferson Kielwagen cria uma alegoria do mundo espiritual segundo as tradições do Catolicismo, do Espiritismo e da Umbanda. As ondas de rádio, como fantasmas, são invisíveis e atravessam nossos corpos. A sobreposição de frequências, no cruzeiro das almas do cemitério, corresponde à mistura dos murmúrios dos vivos e dos mortos. 


Quando: 01/10 (Quarta-feira) a partir das 18h

Onde: Cemitério Municipal (bairro São Luiz)

Confira a programação completa aqui.


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Jefferson Kielwagen (1979), natural de Joinville/SC, é artista com formação em Escultura, Teoria e História da Arte e Desenho Industrial. Principais exposições: Kielwahl, Michigan Institute for Contemporary Art, Lansing/EUA, 2014. Master of Fine Arts, Eli and Edythe Broad Art Museum, East Lansing/EUA, 2014. 3a Bienal do Gueto, Porto Príncipe/Haiti, 2013. Semana de Ocupação Urbana, Criciúma/SC, 2013. Radius Experimental Radio, Chicago/EUA, 2013. Sculptures in the Park, Wentworth Park, Lansing/EUA, 2013. Uncensored, Leslie-Lohman Museum, New York/EUA, 2012. 40 Anos da Coletiva de Artistas de Joinville, MAJ, 2012. Tudo que é vivo incomoda, SESC Joinville, 2010. 39ª Coletiva de Artistas de Joinville, MAJ, 2010. Suitcase, ARC Gallery, Chicago/EUA, 2009. 38ª Coletiva de Artistas de Joinville, MAJ, 2009.11º Salão de Artes de Itajaí, 2008. MultipliCIDADE, Vitória/ES, 2007.

Paisagem Suspensa por Odete Calderan (Criciúma, SC)






Por meio de uma Experiência Processual realizada como prática de ateliê nas disciplinas Cerâmica Artesanal e Cerâmica e Pesquisa com os acadêmicos do curso de Artes Visuais (UNESC), a professora Odete Calderan inicia um processo de sensibilização e diálogo para a criação, voltado primeiramente a percepção da matéria (argila), a escolha dos procedimentos de modelagem do objeto, e entre um processo e outro nos silêncios no ateliê potencializam-se subjetividades que irá culminar com uma Intervenção que propõe um jogo lúdico e poético de coletividade instalada no espaço urbano.

Quando: 30/09 (Terça-feira) a partir das 9h

Onde: Prédio do antigo BESC

Confira a programação completa aqui.



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 Odete Calderan é natural de Sananduva, RS. Graduou-se bacharel em Desenho e Plástica e especializou-se em Design para Estamparia, também fez mestrado em Artes Visuais com ênfase em Arte Contemporânea na mesma instituição, Universidade Federal de Santa Maria UFSM/RS. Em um período mais recente passa a residir em SC e atuar como professora na Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC/SC, nos cursos de Artes Visuais e Design. Em sua trajetória artística vem participando de várias exposições abordando em seu processo poético a materialidade, significação, deslocamento, paisagem buscando hibridizar linguagens como da cerâmica, escultura, fotografia, vídeo.

Merda Magazine #4






Nesse ultimo sábado rolou o lançamento da quarta edição da Merda Magazine, revista independente voltara para as artes, quadrinhos e ilustração, idealizada por Alan Cichela, Jonas Esteves e Marcos Keller. 


 Essa edição conta com muita coisa bacana, além do nosso artigo sobre os acionistas vienenses, a edição traz o processo criativo de  Jonas Esteves, ilustrações do artista Alan Cichela, os trabalhos de Sérgio Honorato, fechando com um artigo de Fernando Boppré. 

 Confira a revista na integra aqui.

FacePraça por Coletivo URBE (Florianópolis, SC)





Chegou a hora de conhecermos melhor os artistas e as propostas selecionadas para a 2ª Semana de Ocupação Urbana que rola em Criciúma(SC) daqui duas semanas.

 A semana começa com a FacePraça do Coletivo URBE (Florianópolis, SC)




  A Proposta do Coletivo URBE consiste na apropriação do espaço pelos membros do coletivo, rediscutindo os relacionamentos virtuais, sugerindo aos transeuntes amizades reais, ao invés das virtuais. Através da ironia criada pela situação, o projeto desperta a relação de troca, e sugere um novo olhar sobre as relações, visando afastamento das tecnologias e aproximação da Urbe e dos contatos humanos mais básicos, como uma simples conversa sobre o tempo, música, a natureza, um livro, ou sobre o próprio silêncio.


Quando: 29/09 (Segunda-feira) a partir das 11h

Onde: Praça Nereu Ramos / Praça do Congresso

Confira a programação completa aqui.

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O Coletivo URBE é um Coletivo de ocupação de arte urbana, que iniciou suas atividades na sede da Casa Vermelha, no centro de Florianópolis, através de estudos em performance e de uma oficina no final do ano de 2013. Idealizado por André Francisco, membro integrante e diretor atuante do grupo Teatro em Tramite, também sediado na Casa Vermelha, o coletivo buscou estudar Guy Debord, Renato Cohen, alem de filosofia, em Heidegger, Nietzsche, como base teórica, que sustentasse as discussões iniciais de consolidação estética/formal do grupo. Membros integrantes de áreas diversas do conhecimento (artistas plásticos, estudantes de teatro, estudantes de design, advogados, músicos, entre outros) fazem parte dessa junção artística, que busca ir para o espaço urbano, rediscutindo arte e performance, e integrando o público em suas propostas. Ações: Espero que compres muito, Terceira Ação, Pelada na Copa e Facepraça.

Resultado - Propostas selecionadas para a 2ª SOU





Primeiramente bom dia!!
Hoje é dia de conhecer as seis propostas selecionadas para a 2ª Semana de Ocupação Urbana:




Nesta ano recebemos ao todo 16 propostas. Foram analisadas num primeiro momento a viabilidade de sua execução e selecionadas num segundo momento as propostas cuja justificativa se adequasse aos objetivos da Semana de Ocupação Urbana de acordo com os aspectos estabelecidos no edital:

- Propostas site specific, performances, instalações, ações efêmeras.
- Soluções que propiciem a participação do transeunte, buscando interatividade.
- Trabalhos que tratem a precariedade dos espaços, ativando o uso dos espaços públicos da cidade e/ou tenham abordagem e posicionamento em relação ao lugar de execução.

 Em breve divulgaremos a programação completa e mais informações sobre cada proposta.

Agradecemos a participação de todos e parabenizamos aos selecionados! 




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 SOBRE A SOU


A SEMANA DE OCUPAÇÃO URBANA (SOU) - 2ª edição em 2014 - surgiu como resposta às últimas movimentações sociais e políticas presentes de ocupação das ruas e a emergência dessas práticas no contexto também da arte. Trata-se de um projeto aprovado pelo Edital nº 004/2013 Cultura Criciúma, que regulamenta a concessão de recursos financeiros destinados a incentivar atividades culturais na cidade de Criciúma/SC, de acordo com o que determina a Lei 6.158, de 24/09/2012.

Antes tarde do que nunca | Rua Monstro por Deise Pessi



O ultimo capitulo da 1ª edição da Semana de Ocupação Urbana encerrou esse final de semana.

Aprovada no primeiro edital do projeto, a proposta Rua Monstro da artista Deise Pessi foi uma das seis proposta selecionadas e estava prevista para abrir a semana que ocorreu no inicio de dezembro do ano passado.

No projeto inicial a artista realizaria uma intervenção em 10 pontos de paradas de ônibus, ao longo da rodovia Luiz Rosso.  No entanto, a proposta teve que ser adiada devido a burocracia do órgão responsável na liberação das paradas. Fato esse que só veio a se concretizar mês passado.

Do projeto inicial, houveram algumas alterações devido a essas questões burocráticas e a liberação de apenas duas paradas, mas no entanto, finalmente e felizmente nesse ultimo final de semana, duas paradas viraram monstrinhos, sendo apelidadas carinhosamente de Bunga e Tunga.

Abaixo segue fotos do projeto:







Lembrando que a 2ª Semana de Ocupação Urbana está prevista para acontecer final de setembro.
E em breve estaremos divulgando os artistas selecionados.





Laborativo convida: 2ª Coletiva de Artistas do Sul






Estaremos participando da A 2ª Coletiva de Artistas do Sul.

A abertura acontece hoje (12/08) as 20h30 na UNESC. E estão todos convidados!!!!

Com o tema "Arte e Cidade" participam da mostra 22 artistas oriundos de sete cidades da região: Criciúma, Urussanga, Siderópolis, Lauro Muller, Orleans e Nova Veneza. 

Confira os artistas, suas propostas e cidades

Alenir Fernandes de Souza Dalpiaz – “Paralelas Urbanas” – Criciúma
Alexandre Candido Antunes – “Desistetica Paisagística” – Criciúma
Angélica Neumaier – “Minha Rua” - Cocal do Sul
Baltazar Cadorin Zeferino – “Criciúma, Praça do Congresso” – Criciúma
Celso Daniel Pieri Filho – “VeloCIDADE” – Criciúma
Deise Cristina Venson Pessi – “Mentelea” – Criciúma
Denise Velho da Silva – “Do Corpo para a Alma” - Lauro Muller
Dilma Zuchinalli – “Passado Presente” – Siderópolis
Elke Otte Hulse – “Without Borders” – Criciúma
Fernando dos Santos de Souza – “Oráculo de Delfos” – Criciúma
Izabel Cristina Marcílio Duarte - “Cidade Fragmentada” – Criciúma
José Roberto da Silva – “Cidade Suspensa” – Criciúma
Laborativo – “Memória em Branco” – Criciúma
Leandro Jung – “Imagens do Rio Palmeira” – Orleans
Lucas Uggioni Bonfante – “Remanescente – da Série: Recomeço das Cidades” – Criciúma
Maicon Marcelino Montovani – “Gavetário” – Criciúma
Maira Pedroso – “Cultivando Raízes” – Urussanga
Marcos Otávio Dagostin – “Paisagens Intocáveis” – Criciúma
Nathalia Barros Silvestre – “Night and Day” – Criciúma
Neusa Milanez – “Miragem Urbana” - Nova Veneza
Odete Angelina Calderan – “Coletores de TERRAS” – Criciúma
Pricilla Ferro Salvaro – “Matéria para (ou)vistos” – Siderópolis



A exposição vai até 12 de setembro :)

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A Coletiva é um projeto aprovado pelo Edital nº 004/2013 Cultura Criciúma, que regulamenta a concessão de recursos financeiros destinados a incentivar atividades culturais na cidade de Criciúma/SC de acordo com o que determina a Lei 6.158, de 24/09/2012.



Sobre as defesas de TCC que participamos (parte 3) : Pricilla Ferro




Dando continuidade aos relatos (veja os anteriores aqui e aqui) sobre as bancas de TCC, do curso de Artes Visuais - Bacharelado da UNESC, que fomos para participar, vamos conhecer agora a pesquisa da Pricilla Ferro Intitulada:


COTIDIANO E ARTE: DESCORTINANDO IMAGINÁRIOS.


Foi uma experiência muito bacana analisar e avaliar o trabalho da Pricilla, pois além de ter sido a primeira vez em que participei de uma banca de TCC, eu já conhecia a Pricilla e sua sensibilidade para as questões artísticas. Acompanhar sua pesquisa foi instigante e descobrir os caminhos de sua produção artística foi uma grata surpresa.

Com sua pesquisa Pricila tinha como objetivo encontrar no fazer artístico contemporâneo um caminho poético que provocasse a “desacomodação” do olhar dos sujeitos para com a “cidade não vista” em meio ao ritmo acelerado do cotidiano. Dentre tantos elementos da cidade não vista, ela escolheu trazer para seu estudo a população em situação de rua da cidade de Criciúma/SC.

Para tanto apresenta como problematização: de que forma é possível representar artisticamente a relação homem-mundo tomando como referência elementos da cidade não vista em Criciúma/SC e a poética de Manoel de Barros? UAU, muito legal né!?

Em busca de respostas, a pesquisa discute questões acerca da relação entre arte e cidade a partir da pré-história, relação homem-mundo, arte contemporânea e sociedade contemporânea. Desdobrando-se em outras questões pertinentes, a pesquisa nos instiga a observar aquilo que com a correria diária se torna alheio.

Um ponto super interessante na escrita da Pricilla é que ao discorrer sobre o desenvolvimento do ser humano (da pré-história à sociedade contemporânea) ela inicia falando sobre os nômades, nos dando a descrição: “Que ou quem vagueia, não tem domicílio fixo e cuja atividade é desconhecida”, e finaliza falando sobre as pessoas em situação de rua, que, se pararmos para pensar, podemos usar a mesma descrição dos nômades, não!?

Após embasar a pesquisa no que diz respeito a teoria, o desafio da pesquisadora foi encontrar uma linguagem artística que desse conta de descortinar o não visto no dia a dia e, atrair a atenção e reflexão daqueles que entrassem em contato com a produção artística, visando (re)significar, ainda que por um instante, o olhar para o cotidiano.

O foco era representar artisticamente a realidade social das pessoas que vivem em condição de rua em Criciúma, utilizando a poética de Manoel de Barros para dar visibilidade a essa questão e provocar reflexão ao expectador.

Foi aí que surgiu “Matéria para (ou)vistos”, uma intervenção-instalação.

Pricilla saiu em busca de seus personagens não vistos, visitou a Casa de Passagem São José e realizou saídas de campo pelas as ruas, durantes as madrugadas Criciumenses, onde encontrou pessoas que têm como casa os cantos da cidade. Entrevistou esses moradores de rua, coletando por meio de áudio relatos dessas pessoas, o que leva a pesquisa a objetivar reflexões mais profundas sobre o choque de realidades.

Acervo da pesquisadora

Diante de todas as narrativas coletadas, começou a materializar a forma de proporcionar ao público o alcance dessas histórias. É ai que Pricilla traz o objeto janela para a produção - não por sua forma em si, mas sim pelo seu significado simbólico e metafórico - em alusão a ideia de que o outro, por meio dela, veja através de; perceba além de. Embutidos ao objeto encontram-se um dispositivo que aciona um áudio ao abrir a janela, uma câmera webcam e micro alto falantes.

Esboço da produção artística

A janela foi instalada nos pontos da cidade que recebem um fluxo expressivo de transeuntes (Praça Nereu Ramos, Praça do Congresso e Terminal Central), inicialmente fechada, com um único enunciado em adesivo no chão que indica: “mantenha a janela aberta”, em analogia à nossa visão/percepção para os elementos da cidade não vista, sugerindo reflexões ao próprio ato físico de abrir a janela em questão.

Imagem ilustrativa da produção em espaço público

A webcam acoplada à janela é responsável por gerar as cenas resultantes da experiência. Percebendo, por meio das gravações, como o público reage ao objeto.

Os sujeitos que se propuseram a intervir no objeto artístico depararam-se com um áudio, acionado a partir da abertura da janela, por meio de um dispositivo. O áudio é composto por falas – fragmentos aleatórios - dos moradores de rua entrevistados pela pesquisadora.

Aludindo ao ato de ouvir e ver/imaginar a população em situação de rua que são materializados sinestesicamente a partir da intervenção-instalação, bem como, em referência aos neologismos propostos nas poesias de Manoel de Barros, a produção recebe o título de Matéria para (ou)vistos.

Segundo Pricilla, “Retomando ao conceito da proposta, noto que comumente, ao se abrir janelas são cenas imagéticas que se fazem fixas e transitórias por entre a abertura para outros cenários propiciados pelo objeto. Nessa produção, no entanto, a partir desse estímulo que parte da ação do outro, sendo a janela aberta, somos instigados a ouvir, possibilitando que criemos cenários imaginários que deem forma e vida a esses seres, conferindo assim, “voz” para a população em situação de rua, de acordo com Barros (2013, p. 13) “esconder-se por trás das palavras para mostrar-se.”

A produção passou por um segundo momento ao fazer parte da exposição na Galeria de Arte Octávia Gaidzinski da Fundação Cultural de Criciúma. No espaço institucionalizado de arte, Pricilla traz um vídeo, que pode ser visto através da janela, mostrando como os sujeitos reagiram à intervenção artística enquanto estava nas ruas da cidade, como também o áudio das entrevistas.

"Matéria para (ou)vistos" na galeria.

Para concluir essa postagem, gostaria de, mais uma vez, agradecer a Pricilla pelo convite, confiança e oportunidade de poder participar desse momento tão importante de sua vida acadêmica.

;)

Sobre as defesas que participamos (parte 2) : Jonata Santos



Continuando a falar um pouco sobre as bancas de trabalho de conclusão de curso do curso de Artes Visuais - Bacharelado da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Que fomos convidados (para ver a primeira postagem, clique aqui)

Nessa postagem falaremos sobre a pesquisa do Jonata Santos que se chama:


 PHOTO/PERFORMANCE: DESDOBRAMENTOS E CONVERSAÇÕES - ESMO = JONATA

    Imagem do ensaio.

Como minha primeira banca, analisar o trabalho do Jonata foi instigante e motivador, aprendendo a separar meu olhar para pesquisa, olhar para o trabalho artistico, e o olhar para o próprio Jonata, que eu já conhecia a bastante tempo.

O seu trabalho trata de duas questões fortes uma teorica e outra conceitual:

No arco teórico do trabalho o Jonata trabalha a questão do registro da performance e de seu registró "poético" ,e da Photo/performance: Uma denominação que vem sendo usada por alguns artistas.

O trabalho começa nos situando na história da arte através de vários trabalhos icônicos que tem o corpo como "suporte" como os pincéis femininos de Yves Klein, os Happening de Allan Kaprow, e as performances de Marina Abramovic. Passando também por outros artistas relevantes, inclusive brasileiros como Lygia Clark (<3), Lygia Pape e Helio Oiticica.

    Imagem do Ensaio

Após a contextualização somos apresentados a alguns artistas de Photo/Performance como o artista Ricardo Alvarenga, que em um de seus trabalhosa, com vestimentas de Jesus Cristo, a cada dia do ano em que tinha 33 anos, tirava uma foto, fazendo alusão à idade de morte de Jesus. 

Bem como apresentados a esses artistas, somos também apresentados a fala de alguns deles em entrevistas feitas pelo próprio pesquisador, incluindo com o próprio Ricardo Alvarenga, com Marcela Tiboni e André Bezerra. 

Terminando a parte mais Teórica do trabalho, somos apresentados ao artista Alexandre Mury que trabalha com photo performance e ai chegamos ao trabalho do próprio pesquisador.

ESMO=JONATA

Imagem do Ensaio
O mais interessante desta parte do trabalho, é que somos apresentados a uma retrospectiva do trabalho do pesquisador Jonata, desde antes do curso de artes, até suas participações no em exposição coletiva do Sesc Criciúma, e nisso conseguimos ver nitidamente a evolução nas photo/performance dele, inclusive sendo apresentados ai a questão de gênero presente no seu trabalho (amparado pela teoria de Judith Butler) e a questão de arquétipos. 

Então chegamos a produção especifica para esta pesquisa: Um ensaio de photo/performance baseado no Documentário  "Em nome da razão - Um filme sobre os 
porões da loucura" (1979) do cineasta Helvécio Ratton, visto pelo pesquisador e que trouxe como principal questão para seu ensaio, o fato de que os corpos no manicômio não tem rosto, nao tem identidade, não são distinguidos entre gêneros: "Em falas apresentadas no filme, era narrado que os sujeitos chegavam ao Colônia (sanatório) e já tinham suas cabeças raspadas, tinham arrancados seus pertences, e sem pena encaminhados para banhos gelados. Supostamente para entenderem, até os que não tinham discernimento das suas ações, que a partir daquele momento eram “corpos” sem identidade, sem dignidade." (SANTOS, 2014, p47)

Imagem do Ensaio

Deixo aqui meu agradecimento ao Jonata, por poder participar deste momento. As imagens durante a postagem como sugere a Legenda, são as imagens do próprio ensaio resultado da pesquisa. Abaixo deixo o Link para a pagina dos trabalhos do Jonata pra quem curtiu e o resto das fotos do Ensaio

Ensaio Esmo (Completo - exceto pela foto de bundinha que o face censura)

LABORATIVO na Merda Magazine #3



Esse mês tem Laborativo na Merda Magazine para noooossa alegria \o/



  
Temos acompanhado (e divulgado) desde o início as edições da Merda Magazine, pois além de conhecer a capacidade e o trabalho de seus idealizadores, percebemos a importância deste trabalho que eles vem desenvolvendo, reunindo e publicando, entre outras coisas, trabalhos artísticos e textos relevantes para possíveis debates críticos.
 
Foi por esse motivo que recebemos com muita alegria o convite para escrever para a edição número 3 da revista :) E como nos deixaram livres para escolher o tema do artigo, a primeira coisa que pensamos foi no próprio nome da revista, e inspirados, tentamos relatar alguns artistas e obras de merda. 
 
Ficou curioso? Então acesse o link da revista aqui e corra para a página 42 para ler "Artistas de merda: Para muitos a arte é uma merda….literalmente." e depois pode voltar a folhear a revista calmamente porque tem muita coisa bacana!

Deixamos aqui o nosso muito obrigado aos meninos da Merda pelo convite e confiança e esperamos que esta parceria esteja apenas começando ;)
 
Para saber mais sobre a revista e ler as outras edições clique aqui
 
MERDA MAGAZINE: Idealizada e realizada por Alan Cichela, Jonas Esteves e Marcos Keller. Os três produzindo, editando, colaborando e fazendo uma curadoria em uma revista voltada para as artes visuais, ilustração, quadrinhos, literatura, música e tudo o mais que considerarmos relevante para um debate crítico, ou apenas um lazer voluntário.
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