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31ª Bienal de São Paulo - O que vem por ai?



Depois de meses com noticias escassas sobre a 31ª Bienal de São Paulo da qual falamos AQUI.


Temos algumas noticias!
Primeiro, PARA TUDO, e vem ver o video que saiu na "TV Folha"


Nós já estamos achando genial só pelo video, espera que tem mais:


Esta bienal que tem como conceito “como falar de coisas que não existem”. Traz diferos artistas internacionais e além disso artistas nacionais fora do eixo comercial ( o que acreditamos ser de fundamental importância pra uma ampliação no cenário das artes)

Falando mais tecnicamente:

A parte expositiva da 31ª Bienal conterá mais de 70 projetos, cerca de 100 participantes e 250 trabalhos. E é usado  a palavra  “projeto” para se criar uma separação da idéia tradicional de uma obra autônoma realizada no ateliê por um artista, segundo a própria Bienal.
Segundo o release de imprensa , a Bienal não irá priorizar nem exibir manifestações da arte moderna brasileira como de costume de se homenagear um artista em uma sala especial, (vivaaa!):

“Os critérios estéticos do modernismo e seu esforço rumo ao progresso não são salientes na 31a Bienal. Enquanto alguns projetos se referenciarão ao período, na maioria dos casos o moderno não é mais força motora para a pesquisa e trabalho dos artistas.”


Confira os artistas que já estão trabalhando em projetos para a Bienal


Agnieszka Piksa
Ana Lira
Anna Boghiguian
Armando Queiroz
Arthur Scovino
Asger Jorn
Bik Van der Pol
Bruno Pacheco
Clara Ianni e Débora Maria de Silva
Contrafilé com Sandi Hilal e Alessandro Petti
Danica Dakić
Éder Oliveira
Edward Krasinski
El Hadji Sy
Graziela Kunsch e Lilian Kelian
Halil Altindere
Imogen Stidworthy
Ines Doujak e John Barker
Jo Baer
Johanna Calle
Juan Carlos Romero
Juan Downey
Juan Pérez Agirregoikoa
Leigh Orpaz
MAPA Teatro
Marta Neves
Mujeres Creando
Museo Travesti del Perú
Nilbar Güreş
Nurit Sharett
Pedro G. Romero
Prabhakar Pachpute
Romy Pocztaruk
Ruane Abou-Rahme e Basel Abbas
Sheela Gowda
Tamar Guimarães e Kasper Akhøj
Thiago Martins de Melo
Tony Chakar
Val del Omar
Vivian Suter
Virgínia de Medeiros
Voluspa Jarpa
Walid Raad
Wilhelm Sasnal
Yael Bartana
Yochai Avrahami
Yuri Firmeza

Lembrando

A 31ª Bienal de São Paulo inaugura no dia 6 de setembro de 2014,  essa edição da Bienal busca sublinhar a capacidade da arte para ativar-se em relação a diferentes pessoas e contextos, bem como a sua capacidade de interagir e intervir de forma diferenciada, efetiva ou polêmica,dentro de uma determinada situação.

Para mais informações, acompanhe os relatos de artistas (que já estão produzindo projetos) e dos projetos paralelos como os encontros sobre arte no site da Bienal de São Paulo : Aqui

Considerações sobre a 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre




Estivemos na 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre e tão breve eu e a Ana Clara elaboramos nossas humildes considerações que constam a seguir:

+Já postamos um panoroma geral sobre esta 9ª edição: aqui,
+ E sobre a rede de formação da Bienal aqui aqui



O QUE FICOU?


  Se eu tivesse que dizer em poucas palavras o conceito dessa bienal eu provavelmente apostaria neste: obras que parecem algo que não é! 


  Diamantes feitos com cabelo, pedras preciosas feito de cera, satélite que cai no guaíba, lula-gigante, esponjas de água doce de feltros de lã... dentre outros.


BIENAL SEM VÍDEO 

  Pois bem...diferente das outras bienais, essa se destaca em parte pela ausência de videos, acho que se vimos cinco foi muito, o que tornou essa bienal menos "carregada".

  A quantidade de videos em uma bienal é geralmente problemática, mas ao meu ver, vídeo é a concepção mais próxima de amor a primeira vista em uma bienal, porque para você ver ele inteiro, ele realmente tem que te conquistar.

Eis minha teoria...

  Vídeo em espaço aberto é complicado, interfere nas outras obras, mas geralmente se tem banquinho a probabilidade de você sentar e assistir só para descansar alguns minutos é bem grande!

  Se é em sala fechada, me parece mais interessante, quem já foi no Beto Carreiro vai entender, parece que estamos adentrando na Monga - risos - pois geralmente vamos entrando de fininho, aglomerando-se pelas entradas porque geralmente é bem escuro, e então pode acontecer duas coisas: a cena da hora te convence, e você decide permanecer  (minha teoria do amor a primeira vista), ou se não, você permanece mais uns segundos e sai da maneira que entrou... vazio. (e sem amor)  :(



/ BIENAL DA LEITURA vs. SEM SACO CHEIO  

  Talvez tenha sido a primeira bienal que tenhamos efetivamente apreciado quase todas as obras, sem ficar de saco cheio... (ou seja, sem procurar videos e banquinhos), no entanto confesso que a procura pelos textos (muitos textos) nunca foi tão importante.

E isso me lembrou uma coisinha.

Se as artes são visuais porque temos que ler? 

PPPP (Productos Peruanos Para Pensar) na 30ª Bienal de SP
Foto: Vanessa Biff

  Algo que dispensamos, com exceção de domingo pela manhã na orla do Guaíba, foi a visita em grupo e consequentemente a mediação... já que somos VIP e tínhamos um mediador pessoal.

Se na bienal de SP o hype era o mapa, nessa eram os textos e o Mauricio. 

Sendo VIP'S com mediador pessoal

Nosso roteiro era claro:

- Sábado: Santander, Memorial e Margs.
- Domingo: Usina do Gasômetro e Museu Iberê Camargo.

  Começamos nossa visita pela performance E se a lua estivesse apenas a um salto de distância? na Praça da Alfândega, que nos primeiros minutinhos me convenceu, pois fala do uso dos espaços públicos, algo bastante recorrente na minha pesquisa... porém depois parecia uma dinâmica de grupo, por fim o Mauricio chegou e não sei de que maneira aquilo terminou, mas merece menção por ser o primeiro contato na Bienal.

Bik Van der Pol.  Se a lua estivesse a apenas a um salto de distância?, 2013
Foto: Fernanda Picolo


NO SANTANDER?

No Santander muitas coisas nos chamaram atenção, desde a musa de lama, ao diamante com cabelo,  lula-gigante, mantos tecidos com fios que vão da terra até a troposfera...



A obra  abaixo me conquistou simplesmente por uma situação engraçada, imaginem a cena: Adria, doutorando em Geologia,  tentava me explicar o que seria Fulguritos, termo presente no texto e que caracterizariam os objetos...

Fulguritos são minerais que se formam quando uma descarga atmosférica (ou um raio) atinge a areia de praias (chamadas também de areias quartzosas). A sílica, um dos componentes da areia, se funde devido ao calor da descarga atmosférica, formando uma estrutura de aspecto vitrificado (parece vidro) e tubular. 

 ....até que o Mauricio, nosso mediador pessoal, resume a explicação afirmando "são cocôs de relâmpago"   comonãoamar? 

cocôzinhos de relâmpagos
Allan McCollum. O evento: relâmpago petrificado na Flórida Central (com didática suplementar), 1997-1998.
Foto: Adria Guerrero Costa


...MEMORIAL DO RSssss

  No memorial  fomos recepcionados pelo tapete de ferrugem, que só ele já dá uma novelinha. Segundo nosso mediador pessoal, a obra não contava com aquelas grades de proteção,  elas foram colocadas após a obra ser pisoteada logo na abertura da bienal. 


Anthony Arrobo. Crime perfeito, 2013
Foto: Fernanda Picolo
  Crime perfeito é sensacional, por dois motivos... primeiro estéticamente, pois num primeiro momento eu achei que fosse algo transparente e não é!

  Na verdade é uma escultura em forma de pedra, sendo que a pedra que serviu de molde está submersa no fundo do Guaíba. E ai vem a sacada: crime perfeito é transformar a escultura em um original, ao invés de considerá-la uma réplica. :)


  Outra obra bacaninha, é O Vetor da Saudade, do argentino Nicolás Bacal...que não temos fotos. Mas é um telefone que convida o público a fazer ligação para o número 0800-0000-130.  

Para saber do que se trata... LIGUEM JÁ!


Gente, é sério, pode ligar!


MARGS

  No Margs... ~~ muito amor a primeira vista ~~ pelo video do Luiz Roque, Ano Branco, que mostra um futuro na qual a mudança de gênero não será considerado doença,  SIM, a transexualidade está na lista de doenças mentais na OMS, da mesma forma como homossexualidade, e que como justifica a Ana Clara: "amor por falar de um futuro que poderia estar acontecendo agora, e que na verdade é um absurdo não estar acontecendo agora." (PICOLO, 2013)


Luis F. Benedit. Labirinto invisível, 1971.
Foto: Vanessa Biff


  Muito amor também por uma das únicas obras interativas da bienal, que é essa da foto acima e que o nome já diz tudo. Era um labirinto que fazia soar um alarme quando atravessávamos o facho de luz refletido pelos espelhos, o objetivo era completarmos o percurso sem isso acontecer. Uma curiosidade é que no meio havia um aquário porém sem peixe, segundo nosso mediador pessoal, ele começou a ficar atordoado devido ao ruído gerado e precisou ser retirado. 

  A ideia do artista nesta obra seria o de nos convidar a considerar como os comportamentos emergem sob condições de controle, muitas vezes invisíveis na sociedade, e como nos adaptamos a cada mudança. Na foto temos o registro da unica pessoa do grupo que conseguiu completar o trajeto com sucesso. Parabéns! 



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   Nosso domingo começou com uma expedição até a obra de Aleksandra Mir que simula a queda de um satélite. Foram quase 2km muito agradáveis pela orla do guaíba, que rendeu para alguns amigos um belo bronzeado e para outros centenas de fotinhos de paisagens - risos - no entanto me decepcionei, parece que este tempo deveria ter sido convertido em apreciação na Usina do Gasômetro que nos meus pensamentos seria o coração da Bienal.

E isso me leva ao próximo tópico...

U-S-I-N-A-D-O-G-A-SÔ-M-E-T-R-O

  Não sei se o cansaço ou o que, lê-se apenas 3 horas de sono (um salve pra galera do 304), o espaço me lembrou a tristeza da  Bienal do Vazio, corpos arrastados, obras espalhadas, atenção breve para os Portões de nuvem, e a obra do Hans Haacke, artista por qual me apaixonei na Bienal de SP, mas prefiro ficar com a imagem do Gasômetro de 2007, apesar de sermos agraciados com um terraço lindo de sol.
Lindos no Terraço da Usina

Por fim, como não dá pra citar tudo...  não poderíamos deixar de colocar as obras monumentais desta edição, que foram remontadas especialmente para a Bienal.


Robert Rauschenberg. Musa de lama, 1969/2013
Foto: Fernanda Picolo

Tony Smith. Bat Cave. 1971/2013
Foto: Fernanda Picolo

David Medalla. Portões de nuvem. 1965/2013
Foto: Ana Clara Picolo


A Ana Clara pontuou algo bacana, que já havíamos informado na postagem anterior, algumas obras foram comissionadas entre artistas e empresas especialmente para a Bienal. E mesmo elas partindo de um tema bastante individual, de uma maneira muito estranha elas se relacionam, no entanto esse caráter de experimentos e invenções nos processos artísticos de "pesquisa+artes+tecnologia", numa mostra de arte em suas relações com a ciência, a natureza, a comunicação e a tecnologia nos fez sentir em uma grande de feira de ciências. 



I-B-E-R-E-Z-I-N-H-O (assinatura de bicicleta)

No final visitamos o incrível Museu Ibere Camargo, que não faz parte da Bienal, mas que merece atenção, porém  não farei grandes considerações...  apenas terminarei essa postagem com esta obra SENSACIONAL!




É isso pessoal, esperamos que tenham desfrutado.


E agora uma foto bônus ESPECIALMENTE PRO MAURICIO!



Mauricio, sim! Suas ideias devem ser levadas a sério. <3



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